Existem muitas. De todos os tipos, para todas as idades, de toda sorte de gosto que pode haver nesse mundo. Cada um acredita em algo, e nem sempre a palavra crença é atrelada a religião, apenas denomina-se crença alguma coisa ou alguém que outro alguém acredita. Algumas crenças são tão inerentes a nós, que é difícil nos desvencilharmos delas a certa altura da vida. Por outro lado, há algumas que adquirimos ao longo desta, e que nos fazem deixar de acreditar em várias outras crenças anteriores. Geralmente isso acontece quando a crença deixa de ser apenas algo abstrato, que apenas fica no pensamento, e passa a invadir o mundo real, ou seja, quando aquilo que você acredita realmente acontece, ou algo que anule completamente o que você acreditava acontece, e você deixa de acreditar. As crenças religiosas trazem à sociedade grandes conflitos que nos fazem pensar. Antigamente, éramos coibidos ao ato de pensar, e de questionar, por isso a crença era algo mais homogêneo, muito mais unânime. Ou talvez nem fosse, mas as pessoas tinham que fazer parecer que sim. Tínhamos/temos medo de expressar o que sentimos em relação à religião. Agora, venhamos e convenhamos: quem nunca duvidou da existência do ser divino a que todos acreditam e se referem, que atire a primeira pedra. Não é possível que enxergando todos os dias essa dor enorme existente no mundo, não nos perguntemos se existe realmente um Pai Nosso que ajude a todos nós ao mesmo tempo. Não há e nem nunca haverá uma resposta certa e não passível de mudanças e dúvidas. Não critico a religião, mas não concordo com sua doutrina. Apenas a respeito, e a seus seguidores. Só acho que é uma forma de impôr verdades absolutas (que não existem em nenhum lugar do mundo), com a desculpa da retribuição divina na próxima vida. O que não pode acontecer, é deixar de tocar sua própria vida e dar nas mãos de uma figura divina, seja lá qual seja, para que ela a faça. A partir daí, perdoem a falta de jeito, mas vira plena patetice. Mas não cabe a mim discutir e opinar sobre coisas que não acredito. As crenças, de forma geral, podem ser boas ou ruins. No sentido de serem boas, são às vezes, confortáveis, como a da religião por exemplo. É melhor pensar que vamos pra um jardim lindo e colorido se passarmos a vida indo à missa todos os domingos, do que não ter a mínima idéia do que vai acontecer quando passarmos desta pra melhor. É menos intrigante acreditar nas coisas que sempre nos foram ditas, desde os nossos primeiros anos de entendimento vital, do que tentar entender sozinhos e morrer numa chuva de "porquês", "comos" e "ondes". Pois bem, existem crenças que nos deixam indignados, em seu lado negativo. Coisas que não conseguimos deixar de acreditar, mesmo que essas nos machuquem e nos deixem desconfortavelmente incomodados. Tipo você acreditar que o amor da sua vida, só vem uma vez. Essa é uma crença que nem sempre é saudável demais. Se você vive com esse tal amor, te faz bem. Mas a partir do momento que você não o tem mais, se torna um carma, e você se prende a isso de tal forma que não se entrega à vida para que ache outros amores. Acreditar, por exemplo, em fantasmas, espíritos ruins, te faz pensar em mil e uma coisas na hora de dormir, e muitas vezes nem te deixa em paz para que você possa fazê-lo. Mas quem disse que conseguimos deixar de acreditar? Não há luz acesa, nem beijo de boa noite, nem coberta em cima da cabeça que faça deixar de ter medo dessas coisas. E, infelizmente, ou não, não há quem mude aquilo que decidimos acreditar, e isso permite que nossos pensamentos não sejam unificados, de forma que passem a convergir ao mesmo ponto, caracterizando mais uma vez, as nossas diferenças. Cada um com sua crença, cada um com sua descrença, com sua falta ou com sua religião. Acreditar é algo que faz parte da vida, nos baseamos na crença para que possamos viver. Não é só crer em um fato, ou em uma história. É crer que o que você acredita é realmente a sua verdade. O que a Bíblia, os livros, os papas, os oráculos, os monges, os nossos pais, nossos antepassados impõem, não tem absolutamente nenhuma relação direta com a verdade. A maioria do povo acredita num lado, e nem por isso você é obrigado a concordar. Em nenhum aspecto. O bom é contrariar, não por motivo de simples rebeldia, mas por coragem. Contestar é uma virtude. Não existe nenhuma certeza nessa vida além da morte. Portanto, sinto muito se alguns acreditaram nisso por toda vida, mas a melhor saída não é aceitar o que te impõem e apenas deixar que isso te angustie a cada dia. Ou pode ser, até, pra aqueles que não possuem a coragem de questionar, e de ir a fundo em cada assunto. Talvez seja mais inteligente não acreditar em nada. Ou acreditar em tudo, quem sabe. Concorde com tudo. Acredite na religião, mas não desacredite na ciência. Reze para Deus, mas visite Jerusalém periodicamente. Vá a missa todos os domingos, mas não esqueça de fazer aquelas besteiras diárias que seus companheiros denominam pecados. Não adianta, se você toma por absoluta uma verdade, mais cedo ou mais tarde vai acabar se contradizendo. Então.. na verdade o melhor caminho a se seguir não existe, depende de cada um. O caminho que você acredita, é o melhor. Independente do que te falem, do que tentem te convencer. Quem tem que acreditar com todas as suas forças, é você. No dia em que você se interessar inexplicavelmente por um assunto qualquer, e sentir uma vontade insana de estudar sobre ele loucamente, vai saber que acredita nele com uma força maior do que todas as outras coisas que acreditou antes. Como eu fiz com esse assunto. Acreditar é algo que se faz ao longo de todos os dias. Você dorme acreditando que vai acordar vivo amanhã. Se não fizer isso, sua vida não anda. Mas não deixe nunca de questionar, de contestar, de ir a fundo em cada centímetro daquilo que você acredita - isso funciona, e muito. Não se sinta mal se um dia você deixar de acreditar em algo que todo mundo acredita. E se um dia você resolver expressar em sua descrença, todos se virarem contra você, e te perguntarem o porquê dessa contestação, a resposta é uma só: você é alguém com muita personalidade.
{Escrito com grande ajuda do maior amigo do mundo, através de muitas discussões, conversas, vídeos, fotos, e etc., Pedro Feital}
terça-feira, 26 de outubro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Mais uma lição..
Talvez a decepção seja um dos piores sentimentos capazes de se sentir na vida. É um buraco sem fim, um vazio sem final, que te empurra no abismo sem querer deixar que você volte.. O pior é que pra ela não tem cura, ou pelo menos, ainda não encontrei. Por mais que você consiga esquecer temporariamente a dor da decepção, sempre que lembrar dela estará decepcionado como nunca esteve antes. Decepcionado além de tudo, por não ter conseguido ainda esquecer. De repente não haja um remédio, mas uma solução prévia. Andei imaginando uma, pra evitar de me sentir assim mais vezes. Estando decepcionados com alguma coisa, é óbvio que há um sentimento bom que o antecede. Se ficamos decepcionados, é porque acreditamos em algo, e este não aconteceu com o sucesso que esperávamos.. Ou, às vezes, pode ser que nem tenha acontecido. A expectativa é uma coisa gostosa de se sentir. Ela se faz presente na maioria dos sentimentos bons, e é ela que tira nosso sono à noite, quando pensamos no que fazer no dia seguinte em relação a alguém, por exemplo, e a reação que esse alguém vai ter diante a nossa atitude. Planejamos tudo. O tom da voz, a cor do sorriso, a textura do abraço, até as mínimas palavras. Fazemos muito, mas como podemos fazer? É confortável pensar que toda reação alheia vai ser positiva em relação a uma atitude nossa, e em virtude disso, criamos a tal da expectativa. Geralmente acontece comigo nas provas. Estudando muito, ou não, coloco toda minha esperança naquela folha de resposta. Saio mega confiante, mesmo que sabendo que no fundo não fui tão bem assim. Nossa, e como me faz mal quando o resultado não é o esperado. Você se culpa, xinga seu ego, e se deprecia por ter sido tão idiota a ponto de acreditar que aquilo realmente iria acontecer. E se decepciona com o acontecido, e consigo mesmo. Portanto, como tudo que eu já vi nesse pequeno tempo de vivência, a expectativa também tem seus prós e contras. Quando ela é referente a uma pessoa, se torna simplesmente burra. Pelo simples fato de que nos é impossível ler o pensamento alheio. Como vamos antecipar um acontecimento proveniente do pensamento de outra pessoa? Hoje nem sabemos o que nós mesmos vamos acordar pensando amanhã! Imagine na cabeça de qualquer um que seja. Pensei nisso de montão. Como se na prática fosse tão fácil quanto na teoria. Não que seja algo inalcançável, mas é bem difícil.. É quase que involuntário. É inerente a nós guardar pelo menos um pouco de otimismo na cabeça, apesar de saber que este muitas vezes, sem que percebamos, já nos fez sofrer por várias vezes. O melhor mesmo é deixar que as coisas aconteçam naturalmente, sem querer interferir em nada. Sem tentar adivinhar o que vai acontecer, o que você vai ter vontade de falar na hora, o que a pessoa vai lhe responder, quanto tempo vocês vão ficar conversando, se a conversa vai ser produtiva, e assim sucessivamente. Desculpe se estou sendo uma pedra no seu sapato, mas a expectativa é simplesmente ineficaz. Só serve pra que você se decepcione até com a chuva que cai no dia seguinte, quando você dormiu pensando naquele sol maravilhoso que com certeza ia te deixar com o bronze mais lindo do mundo no dia de amanhã. Aí você acorda com aquele barulhinho maravilhoso da água batendo na janela, e, em vez de aproveitar o que realmente está acontecendo, se prende ao que ontem você gostaria que tivesse acontecido. A ordem natural das coisas é a coisa mais linda que existe, sem interferências, sem expectativa. Não digo que você tenha que ficar exteriorizado aos acontecimentos que te rodeiam, a ponto de não querer que tudo dê certo. Mas não exija que tudo saia exatamente como você planejou. Porque não vai ser assim. E mais uma vez, você vai se decepcionar. Talvez, do jeito que tiver que acontecer, vai ser muito mais bonito, completo e colorido do que você imaginou. E aí, acontece ao contrário: você se sente feliz com aquilo. Quando você não põe expectativa, a coisa flui melhor do que você esperava, e aí, você se sente radiante. "Nossa, foi bem melhor do que pensei". Posso estar falando besteira, mas ao meu ver, é muito mais inteligente. A sensação da surpresa é muito mais gostosa. Se prevêssemos tudo o que fosse acontecer, nos decepcionaríamos com a falta de novidade que iria nos cercar. Acho que tive poucas decepções na vida. O ser humano tem mania de só parar pra pensar em determinado assunto quando algo referente ao assunto acontece. Não escrevi isso porque sou uma pessoa frustrada com a vida, é claro que não. Sempre penso que as coisas vão dar certo. Mas tenho em mim a consciência de que, se não for do jeito que pensei, vai ser melhor ainda. E se não for, eu dou um jeito de ficar. Não adianta ficar depositando tudo na coitada da expectativa. Quem faz a cor, o brilho, o sol, a chuva, as palavras, os sorrisos - é você. Você e só você. Quando você descobre que a matéria-prima da sua felicidade é o seu interior, nenhuma expectativa se torna ineficaz, e as decepções, que tanto te incomodavam, agora têm até o seu lado bom: lhe servem como lição.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Inconstante
Porque pensava, porque vivia, porque ouvia, porque errava, porque aprendia, porque falava, porque cantava, porque escolhia, porque queria, porque fazia, porque sonhava .. Sentimentos constantes eram simplesmente exteriores à ela, que tanto mudava, dia após dia. Mudava rápido de idéia, de vontade, de opinião. Não que fosse volúvel, e que não tivesse personalidade sólida, era apenas muito suscetível ao movimento da vida, que consequentemente trazia muitas mudanças a ela. Caracterizava-se a si própria como um ser permanentemente mutável, que, por mais que às vezes não quisesse, estava sempre mudando. Às vezes era bom, pois não deixou nunca que a vida a levasse, sempre tinha controle sobre ela, e fazia da sua própria vida o que bem entendia, sem deixar que ninguém interferisse nas suas escolhas. Mas por vezes, ela se sentia incomodada, pois achava que nunca estaria satisfeita com nada. Algumas coisas lhe aconteceram em seu pouco tempo de vida, e essas coisas lhe fizeram aprender muito - aprendera sobre pessoas, sobre sentimentos, sobre erros, sobre perdões .. Aprendera a dar valor a certas coisas que nunca havia percebido ter valor antes. Houve uma época em sua vida, em que tudo era perfeito. Os pássaros cantavam mais alto, os dias eram ensolarados mesmo debaixo de chuva forte. O cheiro que sentia era sempre agradável, a música que ouvia sempre era a melhor melodia do mundo. Acordava a cada dia com mais vontade de viver, ia se deitar para dormir louca para logo acordar, a viver mais um dia com tanta alegria. Essa felicidade que sentia, era plena. Foi o único momento de sua vida, que se sentira constante. Constante no sentido de ser feliz. Aquela felicidade era imutável, ninguém tirava dela. Foram 730 dias de pura plenitude. Não sabia explicar o porquê de tanta felicidade. Ela só sentia.. Os dias eram tão perfeitos, cada acontecimento se encaixava com perfeição. A vontade de viver florescia no seu coração como as flores na primavera, e a alegria disso tudo até tinha um motivo, e ela sabia exatamente qual. Todos sabiam. Ela exalava essa alegria. Os dias passavam de forma explêndida, e nada a incomodava. Sua inconstância não a perturbava, se sentira completa, como se nada pudesse mudar sua vontade de estar ali. A vida se tornara mais fácil. Os momentos difíceis eram bonitos, as escolhas complicadas eram fáceis, as atitudes eram tomadas com a maior certeza possível. Se sentia segura, amada, plena, feliz. No entanto, infelizmente nesse momento, a mutabilidade que era uma característica inerente à ela, começou a incomodar seus pensamentos. E aos poucos, sem perceber, começou a destituir essa plenitude, e quando foi perceber, já não era mais feliz. Tanto fez, que conseguiu. Aprendeu que às vezes, é preciso sossegar e dormir aos braços daquele momento que mais te deixa feliz. Nem sempre é preciso mudar a toda hora. Aprendera que aquele momento, um momento de pouco mais de 730 dias, fora o melhor de sua vida. E um dia, de repente, acordara com o tempo nublado. E dia seguinte também. E no outro também nublado. Todos os dias o eram, mesmo que debaixo de um sol de quarenta graus. Todas as músicas eram enjoativas, menos as que mais tocaram nos 730 dias. As vozes alheias eram desagradáveis. A comida perdeu o gosto. As pessoas eram simplesmente monótonas. Todas, sem grau de exceção. Os dias ou eram muito frios, ou muito quentes. Não existia clima ameno. Até as aulas de História do Brasil, de que tanto gostava, perderam o tom. A vida perdera a cor, o brilho, a claridade. Os cachorrinhos pelo chão, perderam a graça. Os livros que amava ler, as coisas que costumava fazer, só tiveram amor, nos 730 dias mais felizes e completos da sua vida. Ela não era mais ela. Queria descobrir o porquê daquela tristeza, mas não conseguia. Planejava uma forma de consertar tudo, de voltar no tempo. Por mais que todos dissessem que era impossível, ela pensava contra o mundo, e tentava, tentava, tentava. Caiu, levantou, e as feridas não fechavam mais. Aquela ferida, do maior erro que cometera, não fechava, não sarava, não curava. Quando ela achava que a cicatrização havia começado, a ferida sangrava de novo, sem explicação. Ela queria sair daquele poço que a arrastava pro seu fundo escuro, e roubava o brilho do seu sorriso, que sempre fora tão intenso.. Agora ela sorria sem querer sorrir. Cantava sem querer cantar, ouvia sem querer ouvir, falava sem querer falar. Acordava sem vontade de viver. Sonhava acordada de dia, e dormindo à noite com a mesma coisa. Não tinha mais vontade de contar suas conquistas, muito menos suas derrotas. Não da mesma forma que nesses 730 dias. A esperança a machucava a cada dia. Não conseguia mais curtir o presente, pois só pensava no futuro. Só conseguia pensar em ser feliz novamente, quando conseguisse retomar à sua vida esses dias que lhe foram tão felizes. Lembranças, fotos, músicas. Telefonemas, conversas, promessas. Todas essas matérias-primas da esperança que sentia, pinicavam sua vontade de viver todos os dias. Da hora que acordava, à hora que ia dormir. Ela queria esquecer, pra viver melhor, mas não se permitia. Fora tudo tão perfeito, que não queria nem pensar em esquecer. E mesmo que quisesse, não conseguiria. E mais uma vez, não sabia explicar o porquê. Ela só sentia.. E sente. Ainda sente, ainda dói. Ela quer mudar, quer usar sua inconstância pra conseguir ser feliz de novo. Mas não muda. Muda de ambiente, muda de opinião, muda de gosto. Mas nunca muda de amor. Nunca se desprende desse passado lindo e colorido que lhe entristece mais e mais. Os ares novos que compõem a sua nova vida não têm o poder de tirar da sua cabeça o erro que cometeu, e que acabou pra sempre com a maior chance que tivera, de ser plenamente feliz. Há 455 dias ela se sente assim. Quando vê as pessoas tão felizes, tão completas, tão amadas. Sempre que vê, sua ferida sangra mais. E o sangue não estanca, nunca. Seu coração, durante esses 455 dias, adquiriu sérios problemas na coagulação.. Há 455 dias ela acorda com dias nublados, com o sorriso amarelo. Ao se olhar no espelho consegue enxegar nitidamente o arrependimento. E a cada dia, ela quer mudar. E sua mutabilidade a deixou na mão. A traiu. Deixou-a no chão, sangrando, sofrendo, sem nem lhe dar a mão para que possa levantar e seguir em frente. Nem pra abraçá-la quando acorda de madrugada com seu travesseiro empoçado pelas lágrimas. Pra pegar na sua mão e encorajá-la a levantar a cada manhã, pra tentar sorrir de novo. Ela agora está sozinha.. E a esperança não a abandona. As lembranças, são suas únicas amigas. Só elas. Elas são as que, nos momentos de tristeza, a fazem lembrar que um dia fora a menina mais feliz desse mundo. Por isso, ainda lhe resta lá no fundo uma mínima vontade de acordar todos os dias. Pela segunda vez na sua vida, ela tem um sentimento constante: a culpa.
domingo, 3 de outubro de 2010
ENC:(Sem assunto)
A ausência de idéias iniciais pra escrever, talvez possa parecer um bom motivo para fazê-lo, visto que o melhor jeito de começar um texto, na minha humilde concepção, é não ter a mínima idéia do que se escreve. Não no tocante ao assunto que se trata, é claro que pra defender determinado ponto de vista, precisamos ter conhecimento sobre tal assunto, mas não necessariamente a sistematização da estrutura do texto. Apenas a idéia central é suficiente para que o texto flua com naturalidade. Geralmente começo escrevendo sobre nada. A criatividade é uma figura crucial na escritura, mas não é ela a principal. Só tenho um esboço vago do que vou escrever quando vou contar uma história, que já é algo fixado pela memória.. Fora isso, começo sempre com um texto (sem assunto). Ao contrário do que deveria, o título é o que escrevo por último, depois de ter organizado todas as idéias e no final, ter conseguido assimilar finalmente qual é o assunto do texto que acabo de escrever - porque só o consigo no final. Enquanto escrevo, não sei quem sou, não sei o que escrevo, não sei de onde vêm todas as idéias, toda habilidade, toda destreza.. Simplesmente desconheço a procedência de todas as citações anteriores. A única coisa que sei, é que escrever é o que mais amo fazer. Não sei como comecei, nem onde, nem quando, nem por quê. Mas amo. Ao terminar, e ler, muitas vezes nem acredito que fui eu que escrevi. Não por falta de modéstia, evidentemente. Apenas porque não lembro de onde vieram as idéias. Escrevo com tanta paixão, que as palavras florescem de forma que não sinto. Quando percebo minha tamanha empolgação, estou no final do quarto parágrafo, e aí me desespero porque vejo que escrevi demais. Não que seja um mal, mas em textos grandes, geralmente a idéia central se perde; você fala sobre diversas coisas, e o assunto inicial já não é mais o mesmo que norteia o parágrafo final. Expôr suas idéias num papel, não é a mesma coisa de expressá-las usando o dom da fala. Na oratória você tem a facilidade de articular as palavras com os movimentos da voz, tenta expressar pela fala exatamente a imagem que te passa na mente. Ao escrever, não é assim que a banda toca. Às vezes penso até em deixar de escrever por ter um assunto na mente, aliás. Se torna tão impossível de transformá-lo em palavras, que quase desisto, deixando-o só na idéia. Mas a fome de utilizar todas as palavras conhecidas por mim pra tentar de vez expressar o que penso é tanta, que escrevo. Mesmo que não fique bom. Escrever não é só um modo de mostrar que você sabe. Não é só um meio através do qual você enriquece seu vocabulário. Nem mesmo uma ferramenta que se usa pra convencer alguém de alguma coisa decorrente da habilidade nítida que se vê, por exemplo, a de escrever. Escrever é uma terapia. É uma forma de tentar entender a si próprio. Escrevendo, você é obrigado a organizar suas idéias de forma a compactá-las e entender de uma vez por todas que raio de pensamento é esse que tanto te aflige dia após dia. Não tendo alguém que te entenda nessas aflições, a arte de escrever sempre te é solícita. As palavras são, de longa data, minhas melhores amigas. É nelas que deposito minhas dores, e alegrias, e histórias, e admirações. É com elas que me entendo. É por elas que tenho grande carinho, elas são as que preenchem minhas tardes vazias (quando as são). Um dia se me pedissem para descrever a sensação de ler um texto meu, eu não saberia fundamentar a resposta. É uma sensação única. De orgulho, satisfação, alívio. Quando você escreve realmente com sentimento, transmite-os às pessoas leitoras dos seus textos, e, se você próprio é uma delas, consegue entender-se. Envolve as pessoas nos laços entre as palavras e os sentimentos, entre as dores e os verbos, os amores e as concordâncias. Fácil ter habilidade na gramática. Saber de cabeça todas as definições complicadas de orações subordinadas, coordenadas, e suas adjacências. Não sou formada em faculdade de Letras. Tampouco pretendo. O que tenho em mim não é habilidade, nem conhecimento da estrutura de uma redação. O que eu escrevo é repleto de vida, de amor. Não é sistematizado nem bolado um dia antes. É improvisado, na mesma hora em que é transformado nessas palavras. E o melhor presente que posso ganhar com eles, é ver que minhas palavras fazem algumas das pessoas que lêem, encantadas - seja por orgulho, compreensão, ou apenas admiração. Minha relação com as palavras é das melhores possíveis, e é por isso que tenho tanta paixão por elas. Por saber que elas me confortam, e me prendem num mundo onde nunca são elas insuficientes para caber no limite das minhas idéias, da minha história, das minhas paixões. Deposito aqui, nesse texto, bem como nos outros todos que já escrevi e hei de escrever, todo o amor que houver dentro de mim, e principalmente, todo o amor que eu encontrar dentro do meu mundo.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Todo amor que houver
Recebê-lo, é muito bom. Um gesto de amor, uma gentileza, um beijo, um abraço, um agrado, um presente. Coisas que nos deixam felizes, que nos façam sorrir. É bom, sempre muito bom. Mas tão bom quanto, e quem sabe até mais, é praticá-lo. Corresponder um sorriso, doar um abraço, dar um presente. Gratificante, na verdade; principalmente quando o receptor percebe o quão felicitado está sendo, e consegue retribuir com pelo menos um sorriso de atenção, de obrigado. É engraçado quando chega perto do aniversário, por exemplo, de alguém muito querido.. Queremos ser os primeiros a dar parabéns, começando por ligar na meia noite do dia anterior; ou até mesmo quando compramos o presente uma semana antes e contamos os dias para que possamos entregá-lo. Isso é decorrente da certeza que temos, que nos conforta muito fazer bem aos outros. E não só às pessoas que conhecemos: é preciso fazê-lo até mesmo aqueles que nos são desconhecidos. Por que não? Todos somos dignos de recebê-lo. Todos temos dores diárias, e somos possuidores de virtudes incríveis, de modo a sermos parabenizados uns pelos outros frequentemente. E isso se dá através desses agrados. Nos sentimos estimulados a pensar que somos boas pessoas, ao recebermos certas palavras de afeto, ao recebermos coisas boas de pessoas com quem convivemos, ou até mesmo de quem nunca tivemos contato antes. Aprendi em toda minha vida a fazer o bem. Um dia, quando pequena, estava no mercado com meu pai.. Ele passou por um moço e deu boa noite, e eu sem entender, perguntei se ele conhecia. E ele majestosamente, mais uma vez, me respondeu:'Não, nem nunca o vi. Mas todos somos dignos de um boa noite.' Hoje, sorrir para pessoas na rua e dar boa noite para desconhecidos é uma atitude de plena normalidade, ao meu ver. Comecei a pensar que, há pessoas nesse mundo que estão sozinhas.. E sozinhas, mesmo. Sem ninguém, pra receber um presente, um beijo, um abraço, e até mesmo um boa noite. Ouvindo um boa noite de alguém que nunca tenha visto, talvez por alguns segundos possa pensar que, na verdade, ela não está tão sozinha assim. E dessa forma, podemos talvez transformar a solidão da pessoa em uma alegria momentânea, que seja. Quando puder, faça isso. A melhor retribuição possível vai chegar até você em algum momento. Aquelas frases que vemos no orkut, entituladas "Sorte de Hoje", pra mim parecem irrefutavelmente patéticas. Porém, um dia fui surpreendida com uma que dizia:'O melhor presente que se pode dar é um abraço. Ele é tamanho único, e ninguém vai se importar se você quiser devolvê-lo'. Não são exatamente as mesmas palavras, mas a essência é essa. Presentes são sempre ótimos de serem devolvidos. Sejam abraços, beijos, elogios, palavras - todos as lembranças que pudermos dar às pessoas. Quando fazemos mal a alguém, é claro que esse alguém ficará ansioso também para devolver-nos nossa infeliz atitude, portanto, cutucar os outros de forma errada não é hospicioso.. Bom, mas isso é mais uma forma de te convencer a praticar o bem. Entretanto, você e só você tem que se convencer disso. Faça todo o bem que puder. Sem esperar nada em troca.. Um dia, ele volta quando você menos espera, e felizmente, dez vezes melhor do que o dia de quando você o mandou. Talvez, no dia que o receber, esteja precisando muito. Assim como fez questão de fazer o bem, aquele dia, àquela pessoa que estava realmente precisando dele.
"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira." (Léon Tolstoi)
* [Em homenagem à Patricia Lagôas..]
"A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira." (Léon Tolstoi)
* [Em homenagem à Patricia Lagôas..]
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Nada
De que adianta serem lindos os jardins, se assim não os vejo? De que adianta coloridos serem os arco-íris, se para mim torna-se preto e branco tudo à minha volta? Não importa se minhas palavras se encontram num laço de alegria e gentileza, elas são secas e tristes por dentro, ao falar de você. De que adianta tentar me enganar, tentar sorrir, tentar não chorar, se a dor invade meus pensamentos quando vem à minha cabeça a certeza do nunca mais? Não adianta ter tudo nessa vida, amigos, músicas, fotos, sonhos realizados, risadas engraçadas .. Os dias se tornam iguais e vazios sem você aqui. Preciso, quero, necessito. Como o ar que eu respiro, se torna essencial essa presença impossível de você ao meu lado. A vida me jogou de um abismo quilométrico ao saber que outra pessoa toma meu lugar agora, pra nunca mais deixar que eu volte... E seu coração nem se lembra mais que um dia eu existi, de forma que caio por fim nesse abismo a não mais voltar, deixando tudo pra trás. A dor toma conta não só desse órgão pateticamente sensível e infelizmente necessário, pois se não o fosse arrancaria-o de mim, mas de todos os outros que me compõem, tornando meu corpo apenas escravo de toda essa dor que no fundo, eu fiz por onde sentir. Mereço sentí-la. De uns tempos pra cá já não dói mais, decorrente do costume, do hábito. Tenho me sentido bem, no fundo, muito profundamente. Como toda dor que de tão forte se anestesia por si só, essa se torna pífia comparada a outras dores maiores como a certeza de que nunca mais te terei ao meu lado. A certeza de que você não vai voltar. Nunca. Nunca mais. Nunca mais vou ouvir suas palavras doces ao telefone nos momentos difíceis. Nunca mais vou sorrir contigo, simultanemente. Nunca mais, da mesma coisa. Nunca mais vou sentir teu abraço caloroso e em seguida um 'eu te amo'. Nunca mais sentir teus lábios nos meus, numa dança sistematizada onde a melodia é o nosso amor. Nunca mais minha alma te sorrirá, e meu coração. Jamais outra vez. Não adianta me enganar. Eu não te esqueço e nunca vou, até meu último suspiro de adeus, que talvez possa estar chegando perante tanta dor que torce esse coração até a última gota, sem deixá-lo sequer escolher se ainda prefere viver, ou deixar esse corpo que já não é nada, sem tuas mãos pra tocá-lo, seus braços pra abraçá-lo, e seu amor pra protegê-lo. É apenas objeto. Vazio, oco, descolorido, sem alma, sorriso, coração, e principalmente, amor.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Epitáfio
"Sem grandes arrependimentos, bela vida por mim foi vivida, belas coisas por mim foram feitas. Chorei por muitas alegrias e ri, depois, de muitas tristezas. Deixei heranças de amor, carinho, paixão, afeto, gentileza, e com certeza, felicidade plena. Vivi cada momento intensamente e aproveitei cada minucioso minuto de alegria e também de desamor que me foi presente. Talvez tenham me faltado poucas coisas para a perfeição de vivência, como enxergar que o ser humano às vezes nem sempre é tão humano, ou enxergar que nem todas as flores são tão coloridas, ou que nem todo carnaval é folia. Mas com certeza vivi momentos que me proporcionaram uma enorme bagagem para que pudesse agora, no caminho da vida eterna, descansar com a certeza de que cumpri minha missão onde fui mandada a fazê-lo. Amei, chorei, sofri, me arrependi, caí, levantei, aprendi, ajudei, fui ajudada, abracei, beijei, sorri (muito), agradeci, gratifiquei, usei, comprei, gastei, estudei, escrevi, li, cantei, dancei, desfilei, falei, pulei, amei de novo, sorri de novo, abracei, beijei e ajudei, de novo. Admirei muitas coisas e pessoas, muitos livros e gravuras, muitas músicas e fotos. Chorei com músicas, assim como também as ri. Tirei as dúvidas que me pinicaram a todo momento assim que tive oportunidade. Congratulei muitas pessoas, e critiquei bastante delas. Conscientizei. Ah, isso com certeza. Deixei textos de puro amor, sutilíssimos, cujas mensagens foram compreendidas por quem lia com o coração. Tenho certeza que já pratiquei muito o bem. Muito, mesmo. Minha vida foi um universo onde cada pequeno astro sem luz própria depois se tornou auto-iluminado pelo maior de todos: o amor. O único que me guiou e não soltou minha mão em nenhum dos momentos, até os de maior desespero. Me iluminou este em tudo que me cercara. Não o amor de uma forma abstrata, mas transpassado através de pessoas que me doaram-no durante essa longa estrada que acabei hoje de percorrer, com o maior alívio possível, decorrente da certeza de que a essa herança foi a melhor coisa que pude deixar pra trás. Meu pretérito foi muito, mas muito 'mais-que-perfeito'. Minha vida não poderia ter sido melhor. E tenho dito."
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Outra vez, novamente ..
Mais uma vez, aprendizado cotidiano. Outro dia normal, apesar da prova de hoje que foi um diferencial a mais, e que me fez acordar outra vez com aquela cara de poucos amigos (ainda bem, só a cara, diga-se de passagem). E fui à faculdade, fiz a prova, saí segura, recebi ligações de boa sorte que foram super bem-vindas e em função disto e também do meu estudo, saí satisfeita com o possível resultado. Já nervosa com a prova de hoje à noite, e mais, com a prova de quinta-feira, andei para o ponto de ônibus rumo à minha casa ... Lembrei no caminho de pagar uma conta, passei na loteria, comprei duas raspadinhas, não ganhei nem cinquenta centavos (pra variar), e aí sim, fui pegar o ônibus. Engraçadas, histórias de ônibus. É que vejo tanta coisa nova, tanta gente diferente.. Me sinto às vezes uma jeca no meio da cidade, como se eu nunca tivesse visto um monte de gente na minha vida. Enfim .. é que essas diferenças me encantam, a forma como as pessoas vêem as coisas, e as fazem, de forma que se divergem cada vez mais; E hoje, mais uma vez vendo pessoas de cara feia, que acabaram de acordar, que talvez estivessem indo trabalhar, ou não, apenas passeando, ou indo fazer outras coisas... E vendo outras que te sorriem um 'bom dia' meio oculto, outras solícitas que perguntam se quer que segure sua bolsa, pasta e adjacências (incluo-me nessas), outras que te olham com nojo daquela gente, que olham pra tudo como se estivessem a 89 graus de superioridade. Reparando tudo isso, as pessoas solícitas te confortam em detrimento das outras que, se pudessem, nem andariam no mesmo patamar que simples pessoas mortais. Parando em um ponto de ônibus, hoje tendo a oportunidade de manter os pés no chão porque esqueci meu iPOD, que me faz esquecer da vida quando o trago comigo, reparei na sapatilha de oncinha de uma bela moça que entrou, depois no all star de uma menina que eu tô louca pra comprar mas não acho, e depois numa senhora, outra vez, muito, mas muito fofa. Essa era diferente da outra, não era aquela cara de vovó pedindo proteção, apesar da muita idade. Era uma mulher decidida, com as marcas de expressão bem fortes, bem arrumada, e portanto, passava uma imagem de durona, de séria, de rigidez. Como estava eu apenas com uma pasta e minha habitual bolsa levinha, fiz mais do que segurar as duas bolsas pesadas que ela carregava, mais uma vez levantei-me e ofereci o lugar. Esperando apenas um aceno com a cabeça significando aquele 'obrigada' tímido que geralmente fazemos, principalmente no ônibus, fiquei surpresa quando ela, muito gentil, sorriu-me uma linda sinceridade e agradeceu com reciprocidade o meu gesto de gentileza, afetuosa e simplesmente linda, outra vez. Na mesma hora, pegou minha pasta sem mesmo pedir e a segurou, antes que eu pudesse dizer não. Pediu pra segurar minha bolsa, e eu respondi que era leve, não havia necessidade, e em seguida, agradeci. Muito gentil, mais uma vez, ela me respondeu: "Obrigada você, pois a minha está realmente pesada". E depois disso, me vi participando da conversa baixinha em que estavam envolvidos ela e o homem ao seu lado, que antes estava ao meu lado, e confesso que nem reparei. Pude entender pela conversa que ela trabalha há doze anos no Hospital do Câncer. E não entendia ainda o porquê das bolsas pesadas. No desenrolar da conversa, entendi depois que ela apenas trabalha artesanalmente; Fazia sabonetinhos bonitinhos com toalhinhas, pois lá eles dão presentinhos para as pessoas em estado terminal. Ela sai da Freguesia para Vila Isabel de segunda a segunda, há doze anos, levando cinquenta sabonetinhos e toalhinhas em CADA bolsa. E passava-nos isso com tanta alegria, mas tanta.. Com uma satisfação inexplicável, irrefutável, indescritível. Sabe, orgulho próprio? E com razão. Carregava consigo um aperto no coração, de saber que aqueles presentinhos, seriam os últimos das vidas daquelas pessoas. Mas, ao mesmo tempo, um conforto incrível, que provinha da certeza de que ajudara todas elas de alguma forma, com sua pequena contribuição, linda, linda e linda. Na hora não caiu nenhuma lágrima, e fiquei outra vez surpresa com isso. Na verdade fiquei mais feliz do que triste, mais satisfeita do que balançada. Mais orgulhosa, dela, e principalmente, de saber que ainda existem pessoas assim.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
" Só se vê bem com o coração...
... o essencial é invisível aos olhos." Célebre frase de Antoine De Saint-Exupéry, carrega consigo uma mensagem tão subliminar que chega a ser, talvez para alguns, imperceptível. Em seu filme 'Pequeno Príncipe' repassa a mensagem através de uma personagem que descreve a frase como sendo o segredo do amor; E nada mais certo do que isso, não? Como mais podemos distribuir amor por aí, senão usando o coração?
O texto de hoje talvez seja pequeno, por falar de algo tão simplório, porém, mais uma vez, basta prestar atenção em cada fato da história pra que possamos entender a profundidade do que o texto quer passar; Ouvi um dia alguém contar que viu uma plaqueta em cima da mesa de uma pessoa cujo interior não demonstrava sequer preocupações com assuntos profundos no que tange à sentimentos, amor, afeição e outras coisas mais. Era ela, coberta de futilidade. De ouros, grifes, pose, dentre outros. E esse alguém, narrador da história que me contara um dia, pensou com seus próprios botões se uma pessoa tão desprovida de sensibilidade teria capacidade suficiente para entender a plaquinha que fora posta sobre a sua mesa de trabalho. Quem sabe essa pessoa tenha ganho de presente, sendo assim, nem se dado ao trabalho de lê-la e perceber as sutilezas ali intrínsecas. Porventura, pode até ter achado bonitinha e ter comprado - mas pura e simplesmente por este motivo. E escutando essa história que na verdade acabou de uma forma meio que incompleta, por assim dizer, - pois quem me contou apenas quis contar um fato, sem intuito de discutir sobre ele - comecei a pensar, agora com os meus botões, que às vezes precisamos substituir os cinco sentidos que nos foram concedidos por um órgão de vital importância não só física, mas mormente emocional: o coração. Em quase tudo que escrevo cito o coração, é fácil perceber. Pra mim é algo tão importante, que vale ressaltar a cada mensagem que tento passar. Precisamos ouvir com o coração, pra que a história, o pedido, a súplica ou até mesmo uma simples conversa, se torne motivo de nossa atenção e sensibilidade. É extremamente necessário que falemos com o coração... Com uma bela dose de amor em cada um dos vocábulos que pronunciarmos, tudo se tornará mais fácil de ser ouvido. Precisamos usar o tato, que é um deles, com amor; até um aperto de mão se torna caloroso se for realmente sincero. Até mesmo o olfato, quando sentimos um perfume, que mesmo que suave, se torna uma essência dos deuses se prestamos atenção à tão boa sensação que nos proporciona; ou uma comida de vovó que se torna muito mais cheirosa se pararmos pra pensar em quanto amor ali ela colocou. É preciso que enxerguemos tudo à nossa volta também com o coração; até porque, há coisas hoje em dia que nos cegam profundamente, e os olhos apenas tornam-se insuficientes para enxergar a fundo algumas das coisas. Não basta tentar ouvir apenas com a forma física dos nossos ouvidos, nem falar apenas palavras vazias e ensaiadas que nos são ensinadas ao longo da vida. Discursos pífios, frases automatizadas sem realmente possuir alma ao falar. Tudo o que nos é realmente essencial, se torna invisível aos olhos de alguns, aos olhos de quem não quer e nem faz questão de querer enxergar. Quando conseguirmos olhar para crianças abandonadas com olhos doces, saberemos que nosso coração está ali, participando tacitamente. Quando ouvirmos histórias tristes de pessoas necessitadas para que posteriormente possamos ajudá-las, na verdade nosso coração assumirá mais uma vez sua função. Quando nossas palavras forem pronunciadas com amor, com carinho, com cautela, preocupação... Na verdade poderemos notar que quem está falando não é realmente o nosso corpo físico, nossas cordas vocais; e sim as palavras que compõem esse coração, que é tão importante pra consquistarmos coisas e pessoas ao longo da vida, e viver cada dia com a maior quantidade de amor possível; Para isso é preciso usar o coração, de verdade. Ele não é só mais uma peça vital do corpo humano que serve apenas para bombear sangue. As piores assístoles acontecem na verdade, com quem não sabe agir com o coração. Quem está cego pela ambição, pela avareza, tem seu coração estagnado num mundo de futilidades, supérfluos e malícias sem importância alguma. Há pessoas que, mesmo sem um tostão no bolso, sabem usar o coração. Essas pessoas são abençoadas. Abençoadas com o dom de ver, sentir, tocar, falar, ouvir, e principalmente amar com a parte mais importante que nos constitui. Um pedaço lindo, que nos dá vida, que nos mantêm vivos, acima de tudo; Essa chama que não nos deixa nunca no escuro. É ela que nos dá a desculpa de cometermos boas ações de vez em quando, mesmo os receptores desta não sendo merecedores. O coração é cego de maldade - só enxerga as melhores coisas, e só funciona realmente, pra quem acredita no seu poder. O poder mais lindo, que nos foi concedido: o de amar.
O texto de hoje talvez seja pequeno, por falar de algo tão simplório, porém, mais uma vez, basta prestar atenção em cada fato da história pra que possamos entender a profundidade do que o texto quer passar; Ouvi um dia alguém contar que viu uma plaqueta em cima da mesa de uma pessoa cujo interior não demonstrava sequer preocupações com assuntos profundos no que tange à sentimentos, amor, afeição e outras coisas mais. Era ela, coberta de futilidade. De ouros, grifes, pose, dentre outros. E esse alguém, narrador da história que me contara um dia, pensou com seus próprios botões se uma pessoa tão desprovida de sensibilidade teria capacidade suficiente para entender a plaquinha que fora posta sobre a sua mesa de trabalho. Quem sabe essa pessoa tenha ganho de presente, sendo assim, nem se dado ao trabalho de lê-la e perceber as sutilezas ali intrínsecas. Porventura, pode até ter achado bonitinha e ter comprado - mas pura e simplesmente por este motivo. E escutando essa história que na verdade acabou de uma forma meio que incompleta, por assim dizer, - pois quem me contou apenas quis contar um fato, sem intuito de discutir sobre ele - comecei a pensar, agora com os meus botões, que às vezes precisamos substituir os cinco sentidos que nos foram concedidos por um órgão de vital importância não só física, mas mormente emocional: o coração. Em quase tudo que escrevo cito o coração, é fácil perceber. Pra mim é algo tão importante, que vale ressaltar a cada mensagem que tento passar. Precisamos ouvir com o coração, pra que a história, o pedido, a súplica ou até mesmo uma simples conversa, se torne motivo de nossa atenção e sensibilidade. É extremamente necessário que falemos com o coração... Com uma bela dose de amor em cada um dos vocábulos que pronunciarmos, tudo se tornará mais fácil de ser ouvido. Precisamos usar o tato, que é um deles, com amor; até um aperto de mão se torna caloroso se for realmente sincero. Até mesmo o olfato, quando sentimos um perfume, que mesmo que suave, se torna uma essência dos deuses se prestamos atenção à tão boa sensação que nos proporciona; ou uma comida de vovó que se torna muito mais cheirosa se pararmos pra pensar em quanto amor ali ela colocou. É preciso que enxerguemos tudo à nossa volta também com o coração; até porque, há coisas hoje em dia que nos cegam profundamente, e os olhos apenas tornam-se insuficientes para enxergar a fundo algumas das coisas. Não basta tentar ouvir apenas com a forma física dos nossos ouvidos, nem falar apenas palavras vazias e ensaiadas que nos são ensinadas ao longo da vida. Discursos pífios, frases automatizadas sem realmente possuir alma ao falar. Tudo o que nos é realmente essencial, se torna invisível aos olhos de alguns, aos olhos de quem não quer e nem faz questão de querer enxergar. Quando conseguirmos olhar para crianças abandonadas com olhos doces, saberemos que nosso coração está ali, participando tacitamente. Quando ouvirmos histórias tristes de pessoas necessitadas para que posteriormente possamos ajudá-las, na verdade nosso coração assumirá mais uma vez sua função. Quando nossas palavras forem pronunciadas com amor, com carinho, com cautela, preocupação... Na verdade poderemos notar que quem está falando não é realmente o nosso corpo físico, nossas cordas vocais; e sim as palavras que compõem esse coração, que é tão importante pra consquistarmos coisas e pessoas ao longo da vida, e viver cada dia com a maior quantidade de amor possível; Para isso é preciso usar o coração, de verdade. Ele não é só mais uma peça vital do corpo humano que serve apenas para bombear sangue. As piores assístoles acontecem na verdade, com quem não sabe agir com o coração. Quem está cego pela ambição, pela avareza, tem seu coração estagnado num mundo de futilidades, supérfluos e malícias sem importância alguma. Há pessoas que, mesmo sem um tostão no bolso, sabem usar o coração. Essas pessoas são abençoadas. Abençoadas com o dom de ver, sentir, tocar, falar, ouvir, e principalmente amar com a parte mais importante que nos constitui. Um pedaço lindo, que nos dá vida, que nos mantêm vivos, acima de tudo; Essa chama que não nos deixa nunca no escuro. É ela que nos dá a desculpa de cometermos boas ações de vez em quando, mesmo os receptores desta não sendo merecedores. O coração é cego de maldade - só enxerga as melhores coisas, e só funciona realmente, pra quem acredita no seu poder. O poder mais lindo, que nos foi concedido: o de amar.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Historifícios
Poucas vezes retrato, escrevendo, assuntos que dizem respeito especificamente a mim; Essa é uma das poucas, talvez uma das únicas. Na verdade, não é tão 'sobre mim' assim... É sobre uma das coisas que mais efetivamente fazem parte de mim. A História. História do mundo, história da vida, história de tudo. Até mesmo histórias alheias me interessam, contos de fadas, fábulas, crônicas ... Fictícias ou baseadas em fatos reais, me encantam, todas. Mas em principal, as verdadeiras. A do Brasil chega a me entontecer, ao estudá-la. Cada detalhe me prende incrivelmente e me puxa pro passado, de forma como se eu tivesse vivido cada dia, de 1500, até os dias atuais. Amo a transição das épocas; as mudanças políticas, econômicas; as modas, os estilos musicais - tudo. Simplesmente tudo me faz ter vontade de arrumar uma máquina do tempo pra curtir cada época passada. Escutar músicas dos anos 80 me faz chorar, e assistir filmes no Tele Cine Cult me emocionam só de ver aqueles pontinhos na tela em função da antiguidade do filme. É tão bom ver como as coisas evoluem... Como as pessoas se viravam antigamente, como eram tão felizes apenas com as poucas coisas que tinham. Dá vontade de nascer e renascer e lembrar de tudo que fiz em outras vidas, pra conseguir curtir os diferentes momentos da história. Porém, pessoas como eu, bastante ligadas à história de uma forma geral, tendem a ser um pouco nostálgicas. Estudar história, ler sobre ela, principalmente a contemporânea, acaba me lembrando momentos da minha vida, que foram relativamente poucos, comparados à por exemplo, os da minha avó, em 68 anos. Afinal, só vivi 18. Mas meu coração é tão saudoso que tenho a oportunidade de sentir falta de tudo que já vivi; Era tudo tão gostoso, que dá um aperto no peito só de lembrar. Quando eu era um pinguinho de gente tão frágil, e chorava horas quando minha mãe me deixava no colégio e ia embora; Quando eu passava muitas tardes vendo Castelo Rá-Tim-Bum, ou até mesmo muitas manhãs vendo TV Colosso. Minha maior ambição, à época, era aprender a ler, pra entender aquelas palavrinhas que vinham debaixo das figuras que eu adorava olhar... Saudade de quando eu cabia no colo da minha mãe, de forma que podia deitar em seu peito e dormir ali. Saudade de quando eu podia sair correndo de uma distância razoável e pular no colo do papai quando ele chegava lá pra me buscar. Eles ainda estão aqui, e eu tento caber em ambos os colos, é claro. Mas nunca é da mesma forma. Naturalmente, nosso cordão umbilical vai se extinguindo com o tempo. Começamos a perceber que nossa história vai sendo escrita com a nossa própria caligrafia, não mais com a mão macia de nossa mãe segurando para dar firmeza na escrita. Precisamos tomar certas decisões e atitudes, e pra isso, desvincularmo-nos pelo menos um pouco do que nos prende a eles, no tocante à responsabilidade sempre neles depositada. Nossa história de vida acaba se fundindo à outras histórias que temos oportunidade de conhecer, de ler sobre, e acabamos associando uma à outra. Pode ser que seja só comigo, mais uma vez me depreciando, mas, meio retardado da minha parte pensar nessas coisas. Só que escutando Beatles essa semana voltando da faculdade, me veio à cabeça imagens dessa época que nem eu sei de onde tirei, mas me fez pensar muito no assunto. Assim como me fez pensar que eu queria voltar atrás pra me aproximar de novo dos meus pais de maneira totalmente dependente. Essa dependência, de amor, carinho, afeto, é saudável. Plenamente saudável. Fico pensando, quando estudo as datas, sempre meu primeiro raciocínio é lembrar se determinado acontecimento ocorreu depois do nascimentos dos meus pais; e fico imaginando os dois em meio àquilo tudo... Depois imaginando quando nasci, e tudo vem à tona de novo. Sou suspeita pra falar, mas a História, além de conhecimento, proporciona uma saudade gostosa demais - que faz rir, faz chorar. Faz a gente tentar se aproximar, coisa que talvez não façamos há um bom tempo. É bom às vezes fazer uma forcinha pra caber no colo da mamãe como fazia a 15 anos atrás. É meio triste, a nostalgia. Mas é necessária. Sua história tem que ser escrita com as próprias mãos, como eu já havia dito. Por mais que não sintas mais aquela mão macia te apoiando, nunca vais deixar de lembrar dela. Não se permita deixar de lembrar. As primeiras páginas da sua história são as ferramentas mais importantes pra que você possa escrever o epílogo com a maior destreza possível. Assim como precisamos dos capítulos iniciais para entender uma história qualquer, precisamos da nossa base pra construir a nossa história. Cada foto do passado, cada artifício que te faça lembrar da sua história, é fundamental para que nas últimas páginas, você possa voltar à introdução e se lembrar de como foi bom escrever cada página desse livro. Esse livro particular, de história. Essa história de cada um. Essa história, essa saudade, esses momentos, essa nostalgia, essa destreza, essa saudade, esse afeto, essas fotos, essas cartas, essas músicas, essas lembranças. Essa história, que dá vida à nossa história. Essa história que é a vida.
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